Problemas de manutenção na RSC-287 foram alvo de duras críticas por parte de autoridades e usuários da estrada. Foto: Volnei Savegnago, arquivo pessoal
Um encontro marcado por fortes críticas aos problemas de manutenção na RSC-287 e por pedidos de antecipação das obras de duplicação de Santa Maria a Novo Cabrais, além de que pedidos de prefeituras, moradores e agricultores sejam ouvidos. Esses foram os principais assuntos da audiência pública realizada pela Comissão de Assuntos Municipais d Assembleia Legislativa na manhã desta terça-feira (21), em Porto Alegre, de forma híbrida. De concreto, foi definido que será criado, em 30 dias, um conselho de usuários da rodovia para dar voz a suas queixas e pedidos, e a previsão de que a duplicação de Novo Cabrais a Santa Maria deve mesmo sair antes do prazo do contrato, que seria de 2040 a 2042. Segundo o secretário estadual de Parcerias, Pedro Capeluppi, as projeções atuais de aumento de tráfego na RSC-287 apontam que esses 74 km comecem a ser duplicados entre 2027 e 2029, sem necessidade de aumento de tarifa. Seria uma antecipação de mais de 11 a 13 anos em relação ao prazo do contrato.
— Os estudos previam que esse trecho fosse duplicado a partir quando houvesse um gatilho de tráfego (quando atingir 18 mil eixos por dia). O que nós vemos hoje com o início da concessão e em cima do plano de negócios apresentado pela Rota para a antecipação da duplicação de Tabaí a Novo Cabrais (prevista para iniciar até junho), é que essa antecipação vai gerar maior tráfego de Santa Maria a Novo Cabrais. Hoje, com os dados que temos e eles são muito aderentes à realidade, a projeção atual é que a duplicação de Santa Maria a Novo Cabrais deve ser iniciada entre o ano 6 e 8 da concessão (2027 a 2029). Claro que são projeções, e caso o gatilho seja acionado, não há aumento de tarifa — afirmou o secretário.Mesmo assim, o deputado estadual Valdeci Oliveira (PT) pediu que a discussão sobre a antecipação da duplicação continue sendo feita, pois não aceita que isso fique para 2040.
— Não é justo com Santa maria, que tem 300 mil habitantes, ter de esperar até 2040 e poucos para ter a duplicação. Uma criança que nascer hoje na nossa região, vai tirar a carteira de motorista e não vai pegar ainda a rodovia duplicada, mesmo pagando pedágio desde agora — criticou Valdeci.
Durante a audiência, além de deputados, prefeitos e vereadores, também falaram moradores e usuários da RSC-287. O depoimento mais forte foi do empresário da Capital André Fraga, que também tem empreendimento no Recanto Maestro e representava a associação de moradores da localidade. Fraga afirmou que viaja na rodovia todas as semanas, há 15 anos, e que teve sérios danos em seu carro devido a problemas na estrada.
— Acho que o tempo da duplicação precisa ser revisto, mas o que precisamos resolver urgentemente é a manutenção. Mesmo que fossem 6% da rodovia com problemas, como foi dito, seriam 12 km. Há 2 meses, eu estava passando nesse local onde vocês estão fazendo a base agora. Tinha ondulações no lado direito, esquerdo e no centro. Lavrou tudo em baixo do meu carro. Deu R$ 11,9 mil o orçamento de conserto, e outro R$ 9 mil. Vocês (Rota) pagaram R$ 9 mil. Mas esse não é o problema. Do outro lado vinha, caminhões, tinha carros atrás. Não é a questão do valor, é a minha vida que estava em jogo. Quando eu tive esse incidente, eu filmei e falei para a operadora que vocês estão colocando a vida das pessoas em risco. Na sexta, fiquei uma hora parado na estrada, à noite. O que é um perigo. Eu pago o pedágio e não tenho o serviço. Tu passa no buraco, e quando sai de pedágio, já paga e passa em outro buraco — criticou Fraga.
O diretor da Rota, Renato Bortoletti, respondeu dizendo ser importante ouvir as queixas da comunidade e, quanto ao caso de Fraga, afirmou que a concessionária assume os erros e os corrige, tanto é que pagou os R$ 9 mil pelo conserto do veículo. Disse que a Rota preocupa-se com a segurança dos motoristas e que tem enfrentado dificuldades porque a rodovia ficou décadas sem manutenção adequada. Agora, está focando em fazer os consertos profundos, com retirada da base, o que vai resolver os problemas de forma definitiva. Bortoletti comentou que ontem havia sete pontos de pare e siga na rodovia, e que se forem colocadas mais equipes na estrada, aumenta muito o tempo de viagem e prejudica os motoristas. Comentou que o foco agora é resolver os principais problemas de Tabaí a Santa Cruz, mas que em breve vai reduzir as equipes nesse local e transferi-las para a região de Santa Maria.
— De Agudo a Santa Cruz, até julho a gente resolve os problemas com os reparos profundos — afirmou.
Durante a audiência, agricultores de várias cidades reclamaram que o projeto não previu locais para que máquinas agrícolas atravessem a rodovia, o que é um problema de centenas de famílias. Confira na edição impressa do Diário desta quarta o que diz a Rota de Santa Maria sobre esse pedido.